doenças 

início erliquiose

     É uma doença infecciosa severa causada pelo Ehrlichia canis, que é transmitida pelo carrapato. O carrapato chamado de Rhipicephalus sanguineus, parasita cães, tem coloração marrom, transmite a doença através do sangue de um animal infectado para um sadio. Outra forma de contaminação é através de transfusão sanguínea através de agulhas ou instrumentais contaminados. Este mesmo carrapato também pode transmitir a Babesiose, que em algumas situações podem ocorrer junto com a Erlichiose.

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     Além de vetor, R. sanguineus é considerado reservatório primário de Ehrlichia canis por ser capaz de transmitir a bactéria por cerca de 155 dias em qualquer estágio de desenvolvimento. O contágio ocorre com a ingestão de leucócitos infectados principalmente durante a fase aguda da doença no cão. Entre os carrapatos ocorre a transmissão transestadial, porém não ocorre a transmissão transovariana. Do carrapato para o cão, a infecção ocorre durante o repasto sanguíneo. O período de incubação é de 1 a 3 semanas.

     Durante a fase aguda da doença, a bactéria invade as células mononucleares teciduais, multiplica-se e produz hiperplasia linforreticular no baço, fígado e linfonodos. As células infectadas são transportadas pela corrente sanguínea para pulmões, rins e meninges, aderindo-se ao endotélio vascular e produzindo vasculite e infecção do tecido subendotelial. Também invade células mononucleares circulantes formando corpúsculos iniciais, corpos elementares e então mórulas.

     Na fase subclínica, geralmente surge a hiperglobulinemia, nem sempre relacionada à eliminação de Ehrlichia canis. Testes de imunização em cães utilizando soro antilinfócitos conseguiram desencadear uma alta produção de anticorpos, mas não houve mudanças no curso da enfermidade. Os resultados dos testes indicaram que a resposta humoral parece eficiente apenas na eliminação de espécies extracelulares de Ehrlichia, enquanto a destruição das intracelulares depende da resposta imune celular.

     Assim, cães imunocompetentes podem eliminar a bactéria e não entrar na fase crônica, enquanto que aqueles sem resposta imune efetiva permanecem doentes e podem desenvolver processos imunomediados. Alguns cães podem se manter infectados por longos períodos, inclusive por anos.

     A fase crônica é caracterizada pela pancitopenia decorrente do comprometimento da medula óssea, que pode ser causado por mecanismos imunomediados, infecção no interior da medula óssea ou exaustão devido à destruição contínua de plaquetas.

     A imagem abaixo demonstra a célula fagocitando uma ehrlichia, a célula não consegue fagocitar (destruir) e a bactéria se multiplica dentro da própria célula de defesa, causando a lise (destruição) desta. 

 
 

     Sintomas: Podem ser divididos em 3 fases: Aguda (inicio da infecção), Subclínica (geralmente assintomatica), e Crônica (nas infecções persistentes). Nas áreas edêmicas, observa-se frequentemente a fase aguda da doença caracterizada por: febre alta, perda de apetite e peso, fraqueza muscular. Menos frequentemente observa-se secreção nasal, perda total do apetite, depressão, sangramento pela pele, nariz (espitaxe), e urina, vômitos, dificuldade para respirar e edema nos membros. Este estágio pode perdurar por até 4 semanas e, ocasionalmente pode não ser percebido pelo proprietário. A fase subclínica é geralmente assintomática, podendo ocorrer algumas complicações como, depressão, hemorragias, edema de membros, perda de apetite e palidez de mucosas. Caso o sistema imune do animal não seja capaz de eliminar a bactéria, o animal poderá desenvolver a fase crônica da doença. Nesta fase, a doença assume as características de uma doença auto imune, com o comprometimento do sistema imunológico. Geralmente o animal apresenta os mesmos sintomas da fase aguda, porem atenuados, e com a presença de infecções secundárias, tais como pneumonia, diarréias, problemas de pele, dentre outras. O animal pode também apresentar, sangramentos crônicos devido ao baixo número de plaquetas (células responsáveis pela coagulação do sangue), inclinação da cabeça, andar em círculo, cansaço ao ponto de não levantar e apatia devido a anemia.

     O diagnóstico é difícil no inicio da infecção, pois os sintomas são semelhantes a várias outras doenças. A presença do carrapato e a ocorrência de outros casos da doença na região, podem ser importantes para confirmar a suspeita clínica. O diagnostico pode ser feito através da visualização da bactéria em um esfregaço de sangue (exame pode ser realizado na clínica veterinária) ou através de testes sorológicos mais sofisticados, realizados em laboratórios especializados.

     O objetivo do tratamento variam de acordo com a precocidade do diagnóstico, da severidade dos sintomas clínicos e da fase da doença que o paciente se encontra quando do início do tratamento. O tratamento na fase aguda pode durar 21 dias, e na fase crônica até 8 semanas.

     O prognostico da doença depende da fase em que a doença for diagnosticada, e do início da terapia. Quando mais cedo for diagnosticada e se inicia o tratamento, melhores são as chances de cura. O "amigdepatas" na fase inicial da doença, observa melhora do quadro clinico apos 24 a 48h do início do tratamento.

     A prevenção da doença é muito importante nos canis e locais de grande concentração de animais. Devido a inexistência de vacina contra essa enfermidade, a prevenção é realizada através do tratamento do animal doente e do controle do carrapato. Utiliza-se banhos de imersão ou spray com produtos específicos. Pode-se fazer a remoção manual dos carrapatos (usando luvas).

     Essa doença pode ser transmitida para o homem. Apesar de até hoje não existirem evidências de que a Erlichia canis (principal responsável pela Erlichiose em cães) possa ser transmitida para o homem, existem outras espécies de Erlichia que podem ser transmitidas, pelo carrapato, para os cães e para o homem. Os casos de erlichia humana vem aumentando muito em paises como o EUA. No Brasil esta doença ainda é pouco diagnosticada em humanos.