doenças 

 
início leishmaniose canina

     É uma doença parasitária causada por um protozoário microscópico chamado Leishmania infantum, transmitida pela picada do mosquito infectado (fêmeas da espécie Lutzomia longipalpis). Estes mosquitos são vulgarmente chamados no Brasil por Biriguís, Mosquito Palha, Mosquito pólvora ou Cangalhinha, por serem de pequeno porte, medindo em torno de 2~3 milímetros, portanto menores que um pernilongo comum. Tais mosquitos tem hábitos noturnos, atacando suas vítimas para sugar sangue em geral no entardecer e começo da noite, e dessa picada transmitem para o novo hospedeiro (animal ou o homem) a doença. Trata-se de uma doença sistêmica grave, de curso lento e crônico; tendo grande importância, pois é uma zoonose.

    O cão é o principal reservatório do parasita, e durante as epidemias o homem também pode servir como tal para a infecção do inseto. A transmissão se da através do mosquito e não diretamente pelo cão, sendo assim:

 
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O mosquito pica um cão sadio que se contamina. No organismo deste cão o protozoário se desenvolve. O mosquito pica este cão contaminado e ao picar outro cão ou uma pessoa, pode contaminá-la também. Portanto, o contato cão-cão ou cão-homem não dissemina a doença. Funciona assim: mosquito-cão-mosquito-cão, ou mosquito-cão-mosquito-homem ou até mesmo mosquito-homem-mosquito-cão.

 

     O cão, após ser contaminado por um mosquito infectado, apresenta um período de incubação que varia de 2 a 5 meses podendo chegar a anos, ou seja, o animal pode não apresentar nenhuma manifestação clínica indicativa de infecção neste período.

 

     Os sinais são bastante variáveis, sendo os mais comuns problemas de pele e pêlo (dermatite seborréica - descamações, falta de pêlo ao redor dos olhos, feridas na ponta das orelhas e na ponta do focinho), crescimento exagerado das unhas, perda de peso e/ou falta de apetite, emagrecimento, apatia, anemia, febre, sangramento nasal (epistaxe) ou oral, diarréias persistentes, vômitos, problemas nos olhos (conjuntivites, lesões oculares), inchaço dos gânglios. Em um estágio avançado pode haver aumento do abdômen devido ao aumento e comprometimento de órgãos (baço e fígado) e problemas renais, podendo levar o animal a morte. No entanto mais da metade dos cães portadores não apresentam sinais.

     Devido a variedade e a falta de sintomas específicos, o médico veterinário é o único profissional habilitado a fazer um diagnóstico preciso da doença.

     As medidas de controle da enfermidade adotadas até o momento são o combate ao inseto  vetor  (mosquito),  com

 
   

aplicação de inseticida no ambiente, o uso de repelentes no cão (uso de coleiras apropriadas e repelentes a base de citronela de preferência), a educação da população em relação a posse responsável e controle da natalidade canina e emprego de medidas de saneamento básico. O mosquito costuma se reproduzir em locais com muita matéria orgânica em decomposição. Portanto evitar acúmulos de lixo de casa é uma forma de evitar a proliferação dos mosquitos.

     Além destas medidas temos a vacina, que protege os cães evitando o desenvolvimento e transmissão da doença. O programa vacinal deve ser associado as demais medidas de controle da enfermidade descritas acima. O cão deverá fazer o exame sorológico e iniciar o protocolo de vacinação após o resultado negativo do mesmo. O protocolo consiste na administração de 3 doses da vacina, sendo considerado protegido 21 dias após a terceira dose da mesma. O animal poderá ser infectado antes ou durante o programa de vacinação, dai a importância da associação com outras medidas de controle principalmente neste período.

     O controle para a população canina, baseado no inquérito sorológico e sacrifício dos cães positivos é a base de controle adotada no Brasil. Esta prática é hoje inaceitável na Europa e cada vez mais contestada pelos proprietários de cães e pela comunidade de veterinários de pequenos animais, sobretudo pelo crescente número de publicações científicas sobre o tratamento canino.

     O uso de inseticidas residuais (DDT, fosforados e piretróides sintéticos) no interior das casas e abrigos de animais é considerado eficiente para reduzir a população de mosquitos e conseqüentemente a transmissão parasitária. Entretanto o efeito é temporário e exige um programa contínuo. Os programas não continuados não surtem o efeito esperado e como conseqüência ocorre a reinfestação dos ambientes e reaparecimento de casos humanos e caninos. Ainda não foram relatados, no Brasil, casos de resistência aos inseticidas comumente utilizados.

     A eutanásia de cães soropositivos é uma medida de controle recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), contudo a própria entidade reconhece que existem cães de grande valor afetivo, econômico e prático e por isso não podem ser indiscriminadamente destruídos.

     O conhecimento de que a doença canina não é uniformemente fatal e que alguns cães podem apresentar cura espontânea, levou a comunidade científica médico-veterinária à experimentação de tratamento dos animais. Os resultados obtidos conduziram a protocolos bem sucedidos já aplicados em alguns países.

     A OMS reconhece que a eutanásia dos cães infectados, na maioria dos países, se reserva cada vez mais para casos especiais, como resistência aos fármacos, recaídas repetidas ou situações epidemiológicas perigosas, pois a maioria dos veterinários preferem administrar um tratamento antileishmaniótico, acompanhando atentamente as recaídas.

 

 

 
    

     Atualmente encontramos casos de Leishmaniose em todo território nacional, inclusive em Santa Catarina, registrados neste ano (2010) mais de 11 casos na região da Lagoa da Conceição, sendo inclusive sacrificados os animais soropositivos.

     Recomendamos a vacinação e a utilização de repelentes. Para maiores informações consulte seu veterinário de confiança e proteja seu "amigdepatas".