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a vacina pode não funcionar?

     A vacinação é utilizada de forma preventiva, portanto previne que os animais adquiram as doenças, mas pode ocorrer dela não funcionar? Sim, pode acontecer sim, nenhuma vacina é 100%, mas mesmo assim tem uma alta porcentagem de ação, sendo a melhor forma de proteger os animais. Por que será então que alguns animais adoecem mesmo vacinados?

     Vários fatores influenciam na eficácia da vacina. Dentre eles, os de maior importância é que a vacina seja aplicada por profissionais veterinários, seja bem conservada e que o animal esteja em boas condições de saúde para recebê-la.

     As falhas vacinais podem estar relacionadas ao organismo ou ao produto (vacina):

     Presença de anticorpos maternos
     A cadela através do colostro transmite aos filhotes alguns anticorpos presentes no seu organismo para lhe promover proteção durante aproximadamente 2 meses de idade. O efeito bloqueador destes anticorpos maternos é, sem dúvida, uma das maiores causas de falha vacinal. Os anticorpos recebidos pelos filhotes, podem neutralizar os antígenos vacinais (produto presente na vacina produzido através da partícula do microorganismo ou do microorganismo morto/inativado), impedindo com que o filhote desenvolva defesas suficientes para proteger-se. A idade ideal para se iniciar um programa de vacinação é variável, adota-se 45 dias de vida, mas pode ser alterada dependendo da quantidade de anticorpos recebida pela mãe e pelo nível de contaminação do ambiente em que o filhote se encontra.

     Imunossupressão
     A imunossupressão pode ser congênita ou adquirida. Em uma população, nem todos respondem da mesma forma à uma vacinação. Uma pequena parte dela, ao redor de 5%, independente de ter recebido um esquema de vacinação adequado, não produzirá uma resposta imune eficaz. Da mesma forma, outros 5% da população produzirá uma excelente resposta e a grande maioria da população, cerca de 90%, produzirá uma resposta imune satisfatória. A imunossupressão adquirida é, na maioria das vezes, desencadeada pelo uso de drogas imunossupressoras como corticóides e quimioterápicos. Estes medicamentos só interferem na resposta vacinal se estiverem sendo usados em altas doses e por um longo período de tempo (cerca de 15 dias).

     Incubação de enfermidades no momento da vacinação
     Animais que estão incubando qualquer enfermidade (que não estão aparentemente doentes, mas já estão infectados pelo microorganismo) não conseguem promover uma resposta imune ideal à vacinação. Aqueles que estejam apresentando sinais clínicos não devem ser vacinados, o ideal é esperar que o animal se restabeleça para então ser vacinado. Dai a importância da consulta prévia com o médico veterinário na hora de aplicar a vacina, somente ele está capacitado para diagnosticar estes casos.

     Ausência do reforço

     O reforço é necessário para que o animal seja sensibilizado, ou seja, a primeira vacina faz o papel de apresentar o antígeno ao organismo do animal, as células de defesa entram em contato com o antígeno e reagem produzindo anticorpos, esta resposta é demorada e os anticorpos são em pequena quantidade, com um período de ação limitada. Quando o animal recebe o reforço, as células de defesa já conhecem o antígeno, promovendo uma resposta mais rápida e produzindo um maior número de anticorpos. Abaixo tem uma ilustração e a seguir uma explicação sobre o sistema imunológico atuando na primeira exposição (vacina) e na segunda exposição (reforço).

 
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     Vamos fazer uma breve explicação da figura acima, sobre como funciona a produção de anticorpos, comparando a primeira e a segunda exposição ao agente (vacina).

    Uma célula do nosso corpo, chamada de "Célula B" virgem (n. 1) ao ser "apresentada" ao antígeno (primeira vacina) em aproximadamente 5 dias se torna ativada (n. 2). Aos 10 dias a célula plasmática secretora de anticorpos (n. 3) os libera na corrente sanguínea e aos 15 dias aproximadamente o "plasmócito de vida longa" permanece principalmente na medula óssea (n. 4) por um ano (conforme o gráfico).

     A célula de memória (n. 5) ao ser estimulada por umas segunda infecção (segunda vacina) acontece a mesma coisa que no primeiro contato, mas muito mais rápido e em maior quantidade. Antes mesmo dos 5 dias ocorre a ativação (n. 6), aos 6 dias a célula plasmática secreta os anticorpos (n. 7), com 10 dias o plasmócito de vida longa permanece principalmente na medula óssea (n.8), mantendo células B de memória em maior nível (quase o dobro) que o primeiro contato.

     É importante dar a terceira dose da vacina em animais novos, devido ao fato de que a primeira vacina pode ser inativada pelos anticorpos maternos presentes ainda no organismo do filhote, passados através do colostro. Isto ocorre, pois como dito anteriormente, não sabemos ao certo quando ocorrerá a queda destes, é em torno dos 2 meses, mas pode ser depois disto, inativando a primeira vacina. Sendo assim o primeiro reforço substituirá o primeiro contato, se tornando a "primeira vacina" e o segundo reforço sim, será o segundo contato, ou seja, o reforço realmente.

 

 
 

 

 

     Outros fatores individuais que podem levar à uma falha vacinal:
     - presença de endoparasitos (vermes e protozoários): altera a imunidade do animal;
     - idade (animal jovem demais ou muito idoso): anticorpos maternos e baixa da imunidade senil;
     - hormônios (cio e gestação diminuem a resposta do organismo à vacina): animal fica estressado, alterando imunidade;
     - má nutrição: a nutrição é a base da saúde, animal má nutrido não tem as vitaminas necessárias para ter uma boa imunidade, não respondendo adequadamente; e
     - estresse: o grande vilão, ele desrregula todo o equilíbrio, o animal muitas vezes perde o apetite, baixando sua imunidade.

     Conservação da vacina
     Temperaturas mais altas que a indicada podem influenciar na eficácia do produto, principalmente naqueles que possuem vírus vivo modificado. Quando produtos biológicos são conservados a temperaturas mais baixas que o indicado, ou sofrem congelamento, a sua eficácia também pode ser comprometida. Os antígenos mais prejudicados são aqueles provenientes de bactérias ou vírus mortos.

     A conservação inadequada das vacinas é um dos maiores motivos de falha vacinal quando o animal não é vacinado por um médico veterinário. Vacinas compradas em estabelecimentos do ramo, geralmente são entregues aos proprietários em uma sacolinha plástica com um pouco de gelo, isto não mantém a temperatura adequada até a sua utilização em casa no animal.

     Manuseio e via de administração
     O manuseio é fundamental para a administração da vacina, visto que algumas necessitam diluir a parte sólida, e obter uma boa homogenização antes da aplicação, além disto é necessário utilizar seringas estéreis. Cuidado em misturar vacinas na mesma seringa, é necessário que se saiba se os componentes presentes em uma vacina não inativarão algum componente da vacina adicionada. A via de aplicação de uma vacina também pode influenciar na resposta imunológica. Por exemplo: a vacina de raiva pode ser administrada tanto por via subcutânea quanto pela via intramuscular, se esta for administrada via intramuscular a resposta será mais rápida e duradoura.

     Qualidade da produção da vacina
     Em relação à produção de vacina existem alguns pontos que podem influenciar na eficácia da vacinação. Entre eles estão: a massa antigênica utilizada (quantidade de vírus ou bactérias), a qualidade do adjuvante de imunidade (produto adicionado à vacina para estimular a resposta do organismo), a cepa vacinal (tipo de vírus e bactérias) e a atenuação das cepas (método usado para neutralizar os vírus e bactérias usados nas vacinas). Dentro deste item explica-se uma das diferenças das vacinas nacionais e importadas, maiores detalhes clique aqui.

 

 

     O esquema de vacinação varia de acordo com cada profissional. Para que a vacinação seja eficaz, diminua os riscos de falha, leve o seu "amigdepatas" ao veterinário de sua confiança, que é a pessoa mais capacitada para vacinar o seu amigo.